Maria... quem é você?

 

O sorriso da moça não saía da sua mente. Ele fechou os olhos e imaginou a boca dela se aproximando da sua. A respiração dela, o hálito fresco... os lábios macios, molhados... levou um susto quando a cerveja lhe escorreu no canto da boca e ouviu um amigo dizendo: “que isso, João? Você está no mundo da lua? Vai se afogar com esta cerveja e esta cara de quem viu passarinho verde...” E depois todos riram da situação e da fala do colega. Por um momento João esteve ausente, parecia que só ele e Maria estavam ali, se esqueceu de que estava em uma mesa de bar, com os amigos.

Rapidamente João se recompôs, tentou sorrir com a brincadeira do colega e disse que por uns instantes estava pensando em “outras coisas” e se distraiu, mas que estava tudo bem e que não ia se ‘afogar’ com a cerveja, como disse o colega. Novos risos e brincadeiras e tudo voltou ao normal, com os colegas falando da partida de futebol que deveriam disputar na manhã seguinte. Foi quando um deles pediu mais uma cerveja e tira-gostos. 

João aproveitou para olhar na mesa ao lado, para ver como estava Maria. E ela estava com os olhos fixos nele. Quando os olhares deles se cruzaram, ela parece que levou um susto, como alguém que é pega de surpresa e rapidamente desviou o olhar e falou alguma coisa a Jerônimo, que assentiu com a cabeça. Maria se levantou e caminhou em direção ao toalete. E João seguiu seus passos, admirando o andar da moça. Ela o havia notado, tinha certeza.

Passados alguns instantes e Maria voltou. Os dois ficaram de frente e João viu a oportunidade de se aproximar. Levantou-se e caminhou em direção a ela. Não sabia o que falar, o que fazer, mas foi. Foram os passos mais demorados e, também, mais rápidos da sua vida. Três, quatro, cinco passos e eles estavam frente a frente. Ela sorriu, quando ele parou à sua frente e esticou a mão em sua direção, balbuciando, quase que gaguejando: “Maria... quem é você?”

Ela, por um instante, ficou sem ação. Uma pergunta daquelas, assim, à queima-roupa. O que responder? E passada a surpresa, ela disse: “sou Maria, como você já disse, por que?” “Não, não é bem isso que eu queria dizer. Sei que seu nome é Maria, o que eu queria era saber sobre você...”, disse João ainda sem jeito, tentando recompor a situação criada. E Jerônimo, vendo o que acontecia, se aproximou e disse “o que se passa aqui, Maria? Quem é esse rapaz? Ele está te perturbando?”

Ela entendeu o problema e afirmou que não, João não a estava perturbando, só queria, parece, conhecê-la. Jerônimo então fez o que não se esperava: “então, pode deixar que eu resolvo as coisas. Esta é Maria, minha irmã. E você, quem é?”

Ufa... aquela informação de Jerônimo foi, para ele, um alívio. João sorriu e se apressou a informar que sim, gostaria muito de conhecer Maria e aquela não tinha sido a melhor maneira de se apresentar. Agradeceu a Jerônimo o gesto, e informou ser ele o João Roberto da Silva, que tinha uma horta ali perto, onde recebia os clientes em busca de seus produtos. E que todos os sábados ia àquele barzinho, se encontrar com os amigos, e que tinha notado Maria, já em outra oportunidade, e que esperou até aquele dia para vê-la de novo, e que... foi interrompido por Jerônimo que disse “então está certo, já conhece a Maria, mas temos que ir, pois já estamos atrasados para um compromisso. Até uma próxima”, completou. E Maria, com o sorriso mais lindo do mundo, esticou a mão e falou que “foi um prazer, João. Até qualquer dia!”.

João ficou ali, parado a meio caminho, atordoado ainda com o sorriso da Maria, com o toque da sua mão, e com a informação de que o Jerônimo era apenas o irmão dela, e não o namorado. Voltou à mesa, e foi pensando: “será que não fui muito imaturo, me apresentar daquele jeito? Será o que Maria pensou de mim? Ela sorriu para mim ou da minha atitude? Será que vou ver a Maria de novo?”

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