O sorriso mais lindo, que só ela sabia sorrir...
- “João, você não pode continuar
assim”, disse Carlos ao amigo, para tentar animá-lo. Já fazia cerca de dois meses
que João estava cabisbaixo, “sem gosto pela vida”, como lhe afirmou o amigo. “E
tudo por causa daquela moça, que você disse se chamar Maria. Viu a garota uma,
duas vezes, trocou apenas um olá, ela sorriu para você e pronto, fica aí com esse
ar sonhador, esperando que ela apareça de novo. Acorda, cara, volta à vida”,
decretou o amigo.
Realmente, João parecia
enfeitiçado pela imagem de Maria. Desde aquele último dia em que a moça esteve
no bar, com o irmão, o Jerônimo, e não mais voltou ao local. Dois meses, já, um pouco mais, talvez, e
todo final de semana João voltava à mesma mesa, ficava ali, bebericando uma cerveja,
olhando para o início da rua, à espera da imagem da moça e, nada. Os amigos já
estavam preocupados e Carlos, o mais próximo, resolveu naquele sábado, ter uma
conversa com João, tentar reanimá-lo, fazer com que ele saísse daquela situação.
- “Eu sei, Carlos. Agradeço a
preocupação, mas não sei realmente o que fazer. Ela não sai da minha cabeça. Fecho
os olhos e vejo aquele sorriso... Entro aqui e fico esperando que ela reapareça...
não sei mais o que faço, estou dominado”, disse ele, quase às lágrimas. Carlos
então propôs ao João: “então, meu amigo, o negócio é a gente tentar mudar de
ares, ir para outro local. Quem sabe, à noite, ir para a festinha que vai ter
lá na beira do rio. Tem aquele bar que promove uns shows, o Bar da Nice, vai
ter um programa legal hoje à noite, lá. Vamos com a galera, aí você diverte, revê
as pessoas, tem um monte de gente perguntando por você, por que você sumiu?...”,
foi emendando.
“Sabe a Marina, aquela loirinha que
namorava o Roberto? Pois é eles terminaram e ela pergunta por você toda vez que
nos encontramos”, disse Carlos. “Acho que ela tem uma quedinha por você, sempre
te disse isso. E agora ela está solteira”, falou o amigo, sem que João
demonstrasse muito interesse. Mas a conversa seguiu nesta direção. Já no final da manhã, depois de várias cervejas, João estava convencido de que deveria ir à
festinha da noite.
Depois de muito insistir, ele até
ligou para a Marina e a convidou para ir ao Bar da Nice naquela noite de sábado.
O álcool subiu um pouco, ele sorriu algumas vezes. A turma toda estava ali.
Carlos, Márcio, Sílvio, até o Jorge que parecia mais distante, naquele dia
estava lá, dando uma força para o amigo. “Mais uma rodada, a saideira!”,
arrematou Carlos.
João tomou mais um copo. Naquele sábado
tinha bebido bastante, pensou. E agora precisava ir para casa, tomar um banho
frio, descansar um pouco, pois afinal tinha marcado com Marina que passaria na
casa dela para irem juntos ao Bar da Nice. Precisava se recuperar. Ele se
esforçou um pouco para levantar, tudo rodou e teve de se segurar na cadeira
para não cambalear.
Respirou fundo, ajeitou o corpo e
passou a mão no rosto, como se fizesse um gesto para ‘acordar’. Deu o primeiro
passo e olhou em volta... lá estava Maria, chegando no bar, subindo as escadas
e caminhando em sua direção, com o sorriso mais lindo, que só ela sabia
sorrir...
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