E agora, o que fazer?

 

Sim, era mesmo a Maria, que sumiu por cerca de dois meses, reapareceu como um passe de mágica. Estava vindo em direção a João, que ficou imóvel, sem saber o que fazer. Justamente agora, que ele tinha definido tomar alguma atitude para tirar aquela mulher do pensamento, ela ressurge, do nada, e com aquele sorriso que penetrava a mente do rapaz como a mais bela imagem que ele jamais tinha avistado.

“Oi, João, que bom te ver. Vim aqui só para te encontrar. Estive fora por um período, cuidando de umas coisas e pensei muito em você, aí, assim que tive uma folga, vim te ver. Tudo bem?”, disse Maria, normalmente. E João, surpreso com a chegada e a simplicidade dos gestos e falas de Maria, pensou rapidamente: tudo bem, nada. Fiquei um farrapo neste período, perdi a fome, o sono, quase enlouqueci, e você chega, sorrindo, e me pergunta se está tudo bem?... Mas não conseguiu dizer nada além de um “tudo bem, Maria!”

E ela já foi logo puxando-o pelas mãos e levando-o para a mesa mais próxima. “Senta aqui, eu quero te falar umas coisas. Estive em Natal, com meu irmão Jerônimo, e ficamos lá umas semanas, na casa de uma tia. Fomos em alguns lugares lindos. Você conhece Natal? Tem praias maravilhosas, barzinhos legais. Pena que você não estava com a gente”, disse ela com naturalidade, como se João já fizesse parte do seu círculo mais próximo. Ele ouvia as narrativas de Maria e pensava: poxa, eu aqui, arrancando os cabelos, pensando o que estava acontecendo, por que ela tinha sumido, e ela apenas estava fazendo um passeio em família. E ainda, pensando em mim...

Maria continuou falando sobre os lugares que visitou, as comidas que experimentou da cozinha potiguar, e sempre colocando João na conversa, falando que teria sido maravilhoso se ele estivesse com ela. Isso significava que Maria pensava nele, que ela fazia questão da sua presença. As horas se passaram, já eram quase 17h. Eles ficaram juntos a tarde toda, cerca de três a quatro horas. Nem pensou em almoçar. Sarou da bebedeira da manhã. Comeram alguns petiscos ali mesmo e João não queria que aquela tarde terminasse, nunca. Ele mais ouvia que falava. E admirava as expressões no rosto da Maria. O sorriso, ah... aquele sorriso!

Mas aí ela disse como se tivesse levado um susto. “Nossa, já são mais de cinco da tarde. Tenho que ir à missa das seis com minha mãe e a madrinha”, falou Maria. E completou: “onde te encontro à noite. Estou com saudade das noites daqui. E gostaria de ficar mais com você. Soube que no Bar da Nice, hoje, vai ter um evento legal. A gente se encontra lá?!”, perguntou Maria, quase que afirmando que encontraria João no Bar da Nice.

“Ssimm”, balbuciou ele que não sabia dizer não àquela moça. E ficou olhando, admirado, vendo Maria se afastar em passos rápidos, miúdos. Ela era linda, indo e vindo, pensou ele. João então se lembrou de que havia marcado com Marina que a pegaria em casa para ir ao bar da Nice, do programa agendado com os amigos... E agora, o que fazer?

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