Para sempre!

 O bar da Nice estava cheio. A juventude da cidade parece que marcou encontro no mesmo ponto. Não tinha uma mesa vazia. João chegou ao bar, acompanhado de Marina, Carlos – o seu amigo mais próximo – e foi logo se juntar à turma de amigos que já estava no lugar. Marina era mesmo muito bonita. Loira, olhos esverdeados, corpo escultural, que chama a atenção por onde passava. E ela era bem simpática. Daquelas pessoas agradáveis, que ocupavam espaço aonde chega. E foi assim naquela noite também. Ela e João formavam um casal bonito. E na mesa ao lado, estava Roberto, o ex-namorado de Marina. Ele e alguns amigos e amigas.

Ao ver o ‘ex’ da sua companhia, João ficou a imaginar: será que ela ainda sente alguma coisa por ele? Parece que ele, sim, continua apaixonado pela moça. E enquanto pensava, notou que Marina teve uma atitude diferente de antes. Segurou-lhe a mão e levantou o braço de João, de maneira que ele a abraçou. Ficaram assim, por alguns minutos, até que Marina se levantou e foi conversar com uma colega, que estava na outra mesa. 

Os amigos de João o chamaram para “brindar o encontro”, entregando-lhe um copo de cerveja, já cheio. Automaticamente ele bebeu aquele copo e o encheu, novamente. Estava quente, a música tocava alto. Alguns casais dançavam...

Já fazia cerca de uma hora que ele chegara ao bar. Marina, às vezes vinha à sua mesa, conversava um pouco, trocava algumas palavras com seus amigos, também, e depois voltava para a conversa com a amiga da mesa ao logo. Carlos, assim como os demais colegas e amigos de João, iam cada um encontrando um foco para suas atenções. 

E João ia ficando sozinho, naquela mesa repleta de garrafas, alguns pratos com tira-gostos, música alta, muito burburinho... Roberto, também estava só. João resolveu dar uma volta. Nos fundos do bar tinha uma varanda que dava para a praia. Foi pra lá. Sempre ia, quando estava no Bar da Nice e se sentia um pouco ‘escanteado’.

Olhando a areia sendo tocada pelas águas do mar, que chegava em ondas, começou a imaginar a sua vida, como tinham passados os meses anteriores... desde o dia em que viu Maria, pela primeira vez. Parece que sua vida se dividia em antes, e depois de Maria. 

Mas o problema maior é que ele não se lembrava bem do ‘antes’, pois a imagem daquela mulher ocupava todos os espaços da sua lembrança. Parece que não existia vida, antes de vê-la subindo a rua, naquele dia. 

A partir de então, João só pensa naquela moça. Toda a sua atenção tem se voltado para tentar revê-la, encontrar com ela, ouvir a sua voz, admirar aquele sorriso incomparável... 

As ondas vinham até perto, quebrando na areia branca, sob a lua.  Estava quente e João olhava o mar, e via Maria, ao fundo... sempre ela, a povoar-lhe a memória.

Uma mão tocou seu ombro, foi passeando por suas costas, chegou à sua nuca. Parou. De repente ele se viu puxado ao encontro de um rosto moreno, com um sorriso lindo, e ali começou o beijo mais gostoso de toda a sua vida.

Após o beijo, ele abriu os olhos e viu, Maria. Ela olhou ele nos olhos, demoradamente e disse: "desde aquele primeiro dia que eu queria fazer isto com você!". 

Não falaram mais nada, nem precisava. A vida estava sendo completada para João, e para a Maria também. Ficaram ali, juntinhos, para sempre!

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