Lembranças de menino!
Na manhã da segunda-feira, 29 de junho, fui com minha esposa Marli e a amiga Fátima Quadros, além do artesão Fernando, ambos de São José dos Salgados, ao horto municipal de Carmo do Cajuru, buscar algumas mudas de frutíferas e ornamentais, eu e Minha Marli, para arborizar o quintal aqui da chácara. Pois não é que consegui uma muda de Ingá, uma de Pitanga, uma de Manga e uma de Pau Doce, ou “Uva Japonesa”, como queiram. E a mudinha da Pitanga e a de Pau Doce, me fizeram retornar mais de sessenta anos na minha história. Em 1965/66, morávamos em um barracão na Rua José Clemente Pereira, no Bairro Ipiranga, em Belo Horizonte. E na frente do barraco tinha um pé de Pitanga, no qual eu subia para ‘ver a rua’, já que eu e meus dois irmãos – à época ainda não eram nascidos cinco deles – não tínhamos a liberdade de 'ir para a rua'. E neste pé de Pitanga, eu experimentei pela primeira vez o gosto desta fruta. Tão marcante, que até hoje ainda o sinto, na memória. Eram frutos grandes, roxos, doces, uma delícia. Especialmente para a criança de cinco anos de idade que eu era, então. E, ali pertinho, funcionava a “Cidade Ozanan”, que abrigava idosos, em uma vila, muito simpática. O traçado das ruas, o estilo das casinhas, estão ainda vivos na memória. Digo que foi um dos projetos de atenção aos idosos, de todos os que conheci ao longo da vida, o mais aprazível, na minha opinião.
Era divertido ir até aquele local, com nossa mãe, Neuza, passear nos fins de tarde. Na minha lembrança, de passar pelas ruas daquele pequeno bairro, lembro de casinhas, que abrigavam os idosos, margeando ruas limpas, de calçamento, tudo muito bem cuidado, e nos pátios em frente às casinhas, muitos pés da Uva Japonesa, ou Uva-do-Japão, mais conhecida pelo popular nome de Pau Doce. O fruto dá em cachos, parecidos com raízes. É de um adocicado diferente e, conforme me disse Minha Marli, serve para adoçar chás, além de ser saboreado in natura. Trouxe as mudas para plantar no quintal da chácara, como disse, e com certeza, a visão das duas plantas, em crescimento, vai sempre me fazer lembrar da minha infância. Assim como toda vez que eu vejo a chuva através de uma janela, me lembro de um colega de escola, dos tempos primários, com o qual eu disputava as melhores notas da sala. Estudávamos na Escola Municipal “Honorina Rabelo”, no Bairro Maria Goretti, em Belo Horizonte e, em dias de chuva eu e o Jadir (era esse o nome dele), sempre na volta da escola, comentávamos que era dia de “comer uma comida quentinha, com farinha e pimenta, em frente à janela, olhando a chuva”.
O gosto da Pitanga, o doce
diferente do Pau Doce, e a comida quentinha, com farinha e pimenta, olhando a
chuva da janela são lembranças da infância que me confirmam que a felicidade
existe. Está nas pequenas coisas e muitas vezes a gente se esquece disto.
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