Como explicar isso, em casa?
Existem situações em que a explicação, muitas vezes só complica, mais ainda. É como o caso do batom na cueca, rsrsrs. E eu tenho uma história, ocorrida lá pela década de 1980, mais ou menos neste sentido. Quaisquer explicações poderiam piorar, em muito, o resultado. Então, vamos a ela. Eu era o editor do jornal “Folha do Oeste”, em Itaúna, que ainda hoje circula, porém com a denominação de “Folha do Povo”. Bom, além de editor, eu acumulava a função de diretor. Me ajudavam, várias pessoas, visto que naquele tempo o jornal circulava duas vezes por semana, na quarta e no sábado e a sua produção era tipográfica. Usávamos linotipo, tipos móveis e impressora semiautomática. Era uma batalha a produção de cada edição, sendo necessária a participação de muitas pessoas. E dois deles estavam comigo na história que vou contar.
Um deles era meu amigo, José
Raimundo Rodrigues, que comandava a coluna social do jornal naquela época. Além
de colunista social, o JR, como era conhecido, também comercializava anúncios e
assinaturas para o jornal se manter. E o outro participante da história era o
Raimundo, à época responsável pela página de esportes do jornal. Raimundo acompanhava as
partidas do campeonato itaunense de futebol, partidas de futsal e de vários
outros esportes, como o vôlei, que à época era destaque em Itaúna, com excelentes
atletas. E, assim como o JR, o Raimundo também comercializava anúncios e
assinaturas para o jornal. Era uma maneira de faturar uns trocados, visto que
pagávamos comissão de 20% sobre a venda dos anúncios e das assinaturas.
E eis que um deles vendeu uma
publicidade para um motel, que ficava nas margens da MG-431, sentido
Itaúna-Pará de Minas. E o outro, vendeu uma assinatura para alguém, não me
lembro se gerente, ou proprietário do motel. Em uma segunda-feira, à tarde, eu e
o JR estávamos de carona com o Raimundo, que tinha uma Variant, azul claro. Era
comum que isto acontecesse. Íamos ao centro da cidade – o jornal funcionava nas
proximidades da Rodoviária, onde ficava o escritório e as oficinas tipográficas
– resolver nossos assuntos e como o Raimundo nos dava carona, aproveitávamos e resolvíamos
todas as pendências de uma vez.
Pois bem, estávamos voltando,
quando o Raimundo lembrou que deveria ir receber a mensalidade do anúncio, no motel.
O JR aproveitou e disse que também precisava receber o valor referente à
assinatura. Não me lembro se nesta ordem, e quem precisava receber o que, mas
fomos. Segunda-feira, à tarde, três homens, em direção ao citado motel. Em lá
chegando, como não era aconselhável entrar os três, em um carro, num motel, em
uma segunda-feira à tarde, fiquei eu no carro e lá foram o Raimundo e o JR, à pé, até o escritório do motel, com
os respectivos recibos, fazer as cobranças.
Porém, quando eles já voltavam,
com o dinheiro, surgiu uma boiada, tocada pelo fazendeiro e alguns boiadeiros, pasto afora. Alguns
bois e vacas acabaram saindo ao controle dos boiadeiros. Um boi, parecia ser o
mais bravo da tropa, veio em disparada na direção do carro. Raimundo e JR
também correram e entraram no veículo. Mas o boi não parou e subiu no capô da Variant,
caindo do outro lado, esperneando, levantou-se e continuou a correria.
O capô da Variant ficou bem amassado, pois caíra sobre ele um boi de algumas arrobas de peso. Contrariado, o dono do carro foi tirar satisfação com o dono da boiada. Bate-boca armado, o dono do boi atropelador disse que pagava só metade do prejuízo, porque ali não era lugar de parar um carro. Raimundo ameaçou chamar a polícia, para registrar um B.O. e insistia que queria receber todo o prejuízo causado pelo pisoteio do boi.
Aí, fui obrigado a intervir e disse que o
jornal assumiria metade do prejuízo, se o dono do boi pagasse a outra metade.
Depois de mais umas conversas, tudo ficou acertado e pudemos retornar, sem
acionar a polícia. Mas o Raimundo não ficou satisfeito e depois de algum tempo, me perguntou: por que o jornal teve que
assumir metade do estrago? Não entendi? O dono do boi é quem deveria arcar com
todo o prejuízo...
- Ora Raimundo, disse eu. E quem
vai explicar para a minha esposa e a sua, além da concorrência, o porquê de
estarmos os três, do sexo masculino, na porta de um motel, em uma segunda-feira
à tarde? Ele não disse mais nada e saiu de mansinho... rsrsrsrsrsrs
Kkkkkkk muito bom !!!! Amo seus contos.
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