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E agora, o que fazer?

  Sim, era mesmo a Maria, que sumiu por cerca de dois meses, reapareceu como um passe de mágica. Estava vindo em direção a João, que ficou imóvel, sem saber o que fazer. Justamente agora, que ele tinha definido tomar alguma atitude para tirar aquela mulher do pensamento, ela ressurge, do nada, e com aquele sorriso que penetrava a mente do rapaz como a mais bela imagem que ele jamais tinha avistado. “Oi, João, que bom te ver. Vim aqui só para te encontrar. Estive fora por um período, cuidando de umas coisas e pensei muito em você, aí, assim que tive uma folga, vim te ver. Tudo bem?”, disse Maria, normalmente. E João, surpreso com a chegada e a simplicidade dos gestos e falas de Maria, pensou rapidamente: tudo bem, nada. Fiquei um farrapo neste período, perdi a fome, o sono, quase enlouqueci, e você chega, sorrindo, e me pergunta se está tudo bem?... Mas não conseguiu dizer nada além de um “tudo bem, Maria!” E ela já foi logo puxando-o pelas mãos e levando-o para a mesa mais próx...

O ‘matador fake’ em Taquaraçu de Minas

  Lá pelos anos de 1974/1975, existia um matador em Minas Gerais que metia medo em algumas pessoas, só de ter seu nome citado: Ramiro, o Bandido da Cartucheira, fazia com que pessoas se escondesse até mesmo embaixo das camas, ante notícias de que ele rondava a região. O homem era muito malvado, conforme as notícias da época, estampadas nos jornais. Lembro que o “Diário da Tarde” trazia em sua primeira página, naquelas épocas, todos os dias, notícias sobre as peripécias do bandido. Conforme as afirmações, ele “matava para ver a cor do sangue da vítima”. Diziam à época que ele matara mais de cem, dizimara famílias inteiras. Entrava nas casas para roubar, matava as vítimas com tiros de cartucheira, no peito; estuprava mulheres antes de lhes tirar a vida, era o verdadeiro terror em pessoa. Registros policiais da época, mais confiáveis, apontam que ele teria sido responsável por cerca de 50 crimes, sendo 15 assassinatos e três estupros dentre eles. Ramiro da Cartucheira, que fora batiza...

O sorriso mais lindo, que só ela sabia sorrir...

  - “João, você não pode continuar assim”, disse Carlos ao amigo, para tentar animá-lo. Já fazia cerca de dois meses que João estava cabisbaixo, “sem gosto pela vida”, como lhe afirmou o amigo. “E tudo por causa daquela moça, que você disse se chamar Maria. Viu a garota uma, duas vezes, trocou apenas um olá, ela sorriu para você e pronto, fica aí com esse ar sonhador, esperando que ela apareça de novo. Acorda, cara, volta à vida”, decretou o amigo. Realmente, João parecia enfeitiçado pela imagem de Maria. Desde aquele último dia em que a moça esteve no bar, com o irmão, o Jerônimo, e não mais voltou ao local. Dois meses, já, um pouco mais, talvez, e todo final de semana João voltava à mesma mesa, ficava ali, bebericando uma cerveja, olhando para o início da rua, à espera da imagem da moça e, nada. Os amigos já estavam preocupados e Carlos, o mais próximo, resolveu naquele sábado, ter uma conversa com João, tentar reanimá-lo, fazer com que ele saísse daquela situação. - “Eu sei,...

Maria... quem é você?

  O sorriso da moça não saía da sua mente. Ele fechou os olhos e imaginou a boca dela se aproximando da sua. A respiração dela, o hálito fresco... os lábios macios, molhados... levou um susto quando a cerveja lhe escorreu no canto da boca e ouviu um amigo dizendo: “que isso, João? Você está no mundo da lua? Vai se afogar com esta cerveja e esta cara de quem viu passarinho verde...” E depois todos riram da situação e da fala do colega. Por um momento João esteve ausente, parecia que só ele e Maria estavam ali, se esqueceu de que estava em uma mesa de bar, com os amigos. Rapidamente João se recompôs, tentou sorrir com a brincadeira do colega e disse que por uns instantes estava pensando em “outras coisas” e se distraiu, mas que estava tudo bem e que não ia se ‘afogar’ com a cerveja, como disse o colega. Novos risos e brincadeiras e tudo voltou ao normal, com os colegas falando da partida de futebol que deveriam disputar na manhã seguinte. Foi quando um deles pediu mais uma cerveja ...

Ela ressurgiu, depois de ter sumido em meio à multidão!

  João, que já tinha o costume de ir àquele barzinho, com os amigos, aos sábados, agora passou a encarar aquele compromisso quase que como uma obrigação. Isso, porque em uma das idas ao barzinho, num sábado, ele viu aquela moça subindo a rua. Ela chamou a sua atenção. Como já disse antes, ela era magra, não esquelética. Tinha um corpo bonito, pelo que parecia. Os cabelos, cortados retos na altura dos ombros... Ah, e tinha os tornozelos, as pernas torneadas, pelo que ele se lembrava... Mas ela havia sumido em meio à multidão, quando o garçom chegou, no exato momento em que ela se aproximava, para oferecer uma cerveja. Foi naquele exato momento que ele perdeu a oportunidade de ver o rosto dela, tentar reconhecê-la, quem sabe. E a partir daquele sábado, sonhou com a moça, algumas noites. Chegou até a “ver” quem era, mas quando acordou, não se lembrava o nome, nem o rosto dela. A partir daquele dia foi crescendo nele a curiosidade, a vontade de vê-la novamente, quem sabe, trocar...

O que importa o canto da Seriema?

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  Todos os dias é possível ouvir o canto delas. Pela manhã, pelo meio do dia e mais tardezinha, quando retornam para passar a noite. Estou falando das seriemas, aves que “são os únicos membros vivos da família de aves Cariamidae, que também é a única linhagem sobrevivente da ordem Cariamiformes”. Isso mesmo, são sobreviventes. Comem cobras, ratos, calangos, ovos e frutos. O cantar é inconfundível e “demarca” a presença delas à distância. A mim, me fazem lembrar minha mãe, que nunca esteve fora de minhas lembranças, mas que agora está mais presente ainda, com os cantos diários das seriemas. Outros pássaros, muitos, podem ser avistados o dia todo, todo dia, no quintal de, ainda, poucas árvores. Eles que vêm do alto da serra, uma reserva que temos em frente à casa. Digo temos, porque é reserva florestal e em sendo reserva, não se pode nela mexer, então, é nossa que a admiramos de cá. Mas, retornando às seriemas, lembro que minha mãe fazia questão de contar sobre os cantos das seri...

Ela sumiu no meio da multidão...

Ele estava sentado em uma cadeira, na mesa do bar, junto dos amigos, na manhã do sábado. De repente, notou que lá no início da rua tinha um vulto diferente. Ele e os amigos tinham o costume de se reuniram nas manhãs de sábado, naquele bar, onde ocupavam uma mesa à beira da calçada, de onde podiam ver a rua inteira, que era pequena, subia desde uma praça, passava pelo bar, serpenteando ainda uns cem metros até acabar, de frente para um prédio. Era curta, coisa de três quarteirões, mas animada. Ligava uma região residencial ao centro comercial da cidadezinha, por onde todos os cerca de 20 mil moradores, além dos muitos visitantes que iam à cidade aos finais de semana, passavam. Era a “rua do movimento”, por assim dizer. Várias lojas, muitos bares e até uns três ou quatro restaurantes. Começava em uma praça, aberta, subia pelos três quarteirões e acabava em um paredão de um prédio residencial que estava sempre com o portão de acesso ao estacionamento subterrâneo, fechado. As pessoas seg...